23/04/2008

Não consegui dormir essa noite. Essa é a sétima noite que ouço vozes que iam sussurando, iam crescendo até se tornar um grito. Estranho, mas só senti medo disso hoje. Um alarido, um queixume, clamor enorme e sempre no mesmo tom. Feito uma cantora de ópera em pleno desespero.

Lembrei-me daquela tarde, chovia e eu havia falado com Maria Socorro, empregada de Gustin.

Sua voz e seu sotaque francês me fez lembrar da tal voz que eu havia escutado essa noite.

Um Gato chorando... Lágrimas e lágrimas. E uma voz irritante. 
Lembranças tolas do que poderei viver, ou talvez do que um dia vivi enquanto eu dormia em um sono profundo.