ela começa a dançar pelo estômago
fria como o fim de outono
pula até se segurar ao coração
e se mantém quente como o fim da primavera
ela queima e machuca
como um verbo que não cabe na existência
e fica presa entre o peito e o céu da boca
então ela recita versos pelo corpo inteiro
aos pés de caminhos desandados
e as mãos que não resistem aos toques
toda vez que vê aquele que se sabe o nome
mas desconhece o infinito que te provoca
essa tão inquietante lamúria
se transforma em fogos artifícios
fogos que queimam em silêncio dentro do peito
como se o próprio silêncio
o fizesse sempre
amar sozinho