Estática, palavras voam nas asas das minhas costas passando frio pela nuca incomodando a minha garganta, até conseguir finalmente deixar meus lábios levemente dormentes. Um eu-não-sei-o-que-fazer com a minh'alma, um não-saber que música escolher divagam em todos os lugares que penso em correr. Outro dia meu pai não me olhou nos olhos, ele quase nunca olha, mas não importa. Ele pediu para eu seguir meus instintos. Eu não entendi o que ele quis dizer. Eu quase nunca sei o que a maioria das pessoas querem dizer, eu quase nunca sei o que entender, eu não entendo. Palavras aleatórias correm em minhas veias. Preciso arrancá-las de qualquer forma, daria tudo o que tivesse para não conseguir pensar por um minuto - e quando não consigo não pensar, incomoda pra cacete. Meu cigarro acabou faz umas duas semanas, o de canela (aquele que detesto) também. Aí lembrei que não pertenço a nada, deve ser lindo ter uma cotação patética e orgulhosa de não pertencer a nada, mas eu não penso assim. Eu não me sinto bem assim, eu não faço sentido algum assim. Muitas vezes já pertenci àqueles que vagam as noites com uma garrafa de vinho na mão. Pertencer é um verbo profundo demais para se confundir com algo carnal, é bem puritano, na verdade. A Posse pertence a carne, devem pensar. Pertencer a algo é dividir os segredos da alma. Voltando àqueles que pertenci, alguns eu nem me recordo o nome, outros, eu nem sei por onde andam. Nem sei porquê estou escrevendo sobre isso, talvez nem seja isso que eu queira escrever. Mas o fato é que palavras aleatórias correm em minhas veias e dominam meu corpo como um câncer incurável.
Talvez eu só precise vomitar para ver o que vai sobrar.
De dia eu pertenço a mim, mas é pela noite que ofereci minh'alma.