23/02/2015

Eu danço contigo todos os dias. No meio da rua como na praia de Itacuruçá, dois loucos e intensos apaixonados pássaros noturnos. Ou quando ouço nossas músicas favoritas, ou até mesmo quando chove. E os pingos quentes se equilibrando na borda do telhado em uma tarde de verão construindo um lindo concerto em meio de uma imensidão de silêncio. O silêncio que nós temos pertence a uma sincronia musical perfeita. E meus olhos dizem tanto a ti como em filmes em câmera lenta em próvia. Como uma bailarina flutuante no gelo dando saltos perfeitos que só cabe a ti saber ler. E tu estás a me ler sempre, até mesmo quando está sempre a se negar. 
E os cantos das árvores sempre contam a mesma história a um casal de pássaros. Então eles saem por aí saltitantes cantando em todas as janelas. Inclusive a tua, como naquela manhã após uma noite na qual uma tempestade bela veio nos visitar. Me abraçaste tão forte que meu mundo se tornou pequeno e simples de acalentar. E os anos e os espaços loucos que corremos e tropeçamos tecendo uma encruzilhada de desencontros uma grande manta que nos protege e acolhe. E é exatamente assim como me sinto por ti agora. Protegida e acolhida como sempre deveria ser. Sinto que nós fomos predestinados, mesmo que por um período curto da nossa existência.