Levanto da cama com cuidado para não te acordar. Ainda é escuro e a janela é uma tela de chuva simples e contínua pintando todo o asfalto molhado com o reflexo coral dos postes da segunda maior avenida da cidade. O apartamento fica no terceiro andar. Te olho e penso no quanto é poético morar numa cidade cujo nome significa 'Solidão'. Alguns dizem que o tempo faz com que nos surgem efeitos que dão juízo ao seu nome. Outros dizem então que ela é regida por uma santa acolhedora. Não me importa, eu sempre me sentirei contigo, principalmente quando estou sozinha. Como no cais, no teu moletom e em todas as manhãs de geada da tua antiga paisagem.
Eu definitivamente entendi que o que sentimos naquele tempo, sempre fará parte de mim, de nós e de tudo. Sobre as ruas que caminhamos, as estradas que viajamos, as camas que dormimos. As xícaras, o gramado, o campo vasto no horizonte da nossa janela e todos os sonhos que carregamos na singela sintonia do ser.