22/08/2014

O verão em câmera lenta, o cais, o vento, música dos anos oitenta. Olhar a chuva bater nas folhas das árvores da janela do quarto, escrever poemas sobre o nada. O nada. O tudo. O cheiro de pisca-pisca queimado, o natal, o mormaço da primavera. Músicas natalinas, o toca-discos tocando na sala vazia de uma manhã de Domingo. Domingo, samba no rádio do vizinho, calor, churrasco no quintal. Tocar teclado músicas favoritas em noites de sábado, chorar com músicas que te fazem sentir falta do que nunca viveu. Ansiedade. Esperar muito, esperar por pouco o ônibus aparecer na esquina. O vento da praia, andar de mãos dadas, vinho barato, correr contra o vento, sorrir para estranhos, caminhar sozinha, dormir no cais. Astrologia, signo de virgem regido por vênus, afrodite, gritar de emoção, viagem astral. Casa de madeira, neblina de segunda-feira. Esperar o nada, o tudo. Sonhar, ter medo, ter esperança, desesperança e desamor. Sorriso largo, olhos tristes, decepção, encontro, desencontro. Fato, mentira, árvores secas, deserto, ruas vazias, madrugada, o vento, a beira do cais, a meia-lua, a lua, a meia-noite. Subúrbio, a chuva, ah, a chuva! Cães latindo na porta dos vizinhos, filmes desconhecidos, músicas que não consigo saber o nome. Sair a noite sem destino, sonhar com desconhecidos, cores do céu em tons de azul na aurora sem que o sol apareça, ter uma melhor amiga e não a ter mais, desentendimentos, ressentimentos, relacionamentos, a vida.