20/01/2015
Sempre te amarei no inverno
Se eu pudesse escolher teu nome, seria outro. Embora eu ame o nome que já tens. Assim, me faz lembrar do quanto tua mente é livre. Na última madrugada eu saí do bar para fumar outro cigarro, gosto de ressaltar que deixei de fumar cigarros de filtro vermelho. Ah, não importa! Não compreenderias, tsc, não quero que me compreendas, na verdade. Eu apenas...
Não queria me ocupar das palavras de outras pessoas, palavras soltas e mal formadas e desesperadas e aleatórias. Como esses blocos de notas que a gente encontra perdido, encardido, vazio, cheio de notas pretendidas e não escritas, e não desenhadas e não cuspidas, tão inútil, tão perdido. Como a escrita e um bloco deixou de ser tão íntimo? Se esconde de uma imensidão de letras cravadas na ponta dos dedos, letras também aleatórias e desesperadas por uma palavra indefinida, por uma frase sem sentido, tão pueril e reticente, mas ainda sim insaciável. E ao invés de soltá-las para serem engolidas, eu resolvi escrever pra ti, ou por ti, ou por mim.
Queria ressaltar que além dos cigarros, eu ando me apaixonando por aí. Por cervejas amargas, por conversas inacabadas, por promessas não cumpridas, por ciúmes... por medo de não conseguir mais respirar. Tenho muita, muita vontade de gritar! De correr em direção a ti e ao mesmo tempo sumir do mundo. O tempo é como unguento, a escrita é como anestesia, talvez eu nunca mais o veja na vida.
Talvez eu sobreviva apenas com os fragmentos que restou em mim, ou seja pedaços inteiros, ou montados. Dos teus sorrisos difíceis, da tua mão larga, do teu nariz de palhaço, da tua insana falta de delicadeza. A falta de acalanto em contos perdidos. A raiva descomunal de ter partido. Dúvidas semeadores de desalentos. O vento, o vento, o vento. A partida descomunal, desalentos semeadores de discórdia, e vou me afastando de qualquer memória amarga de sua presença, sendo que a amargura do tempo é a mais viciante das memórias. E tuas melhores memórias me preenchem, palavras pretendidas e não escritas, e não desenhadas e não cuspidas. Vomitadas... é, acho que seria a palavra mais aleatória e repugnante a ser citada, e desesperadas e vazias, e cheias e incompreendidas por um sentimento louco e incontrolável de querer estar mais perto de ti do que nunca. De te admirar mais do que nunca. De te amar mais do que nunca. Mas tu apenas irá digerir palavras e palavras são desintencionadas, promessas tão vulgares quanto pueris e reticentes, mas ainda assim insaciáveis.