23/10/2010

Meu Ideal

Primordialmente, meu ideal.
Tua existência tornara nascente de um rio de sonhos fluviais.
Há de perceber em minha elucidação a maneira de como me espalhava teu gracejar sem notar me ter o feito.

Pela manhã em meu matutino amanhecer redundante, eras meu singelo rocio. Pela tarde tornavas meu ocaso, um tácito libertino. Ah, meu Maiolino, pela noite tu estavas à me enfatizar de cores pueris e brilhantes, e de tanto que me brilhava, ofendia toda a beleza da lua e seu plenilúnio.

E mesmo que a lua invejasse teu cacoete de príncipe de meus sonhos, o mais ambíguo paradoxo estava na forma de como tu estavas sempre à me dizer tanto, sem sequer, mensionar alguma palavra.

Eu espero que todos os caminhos sejam sempre teus, e que sejam longos, bem longos para que possamos andar de mãos dadas até o fim de nosso tênue labirinto.
E que sejamos nada mais e nada menos que consequência do nosso próprio destino, porque é assim que deve ser, primordialmente, meu ideal, querido Maiolino.

15/10/2010

17° Dia

Eu queria escrever sobre a lua.
Queria escrever sobre os estranhos.
Queria escrever sobre tudo aquilo que me fizesse esquecer daquele que veio para ficar.
Mas a única palavra que me vem à mente nesse exato momento, é o nome dele.
Que grita sem alterar a voz,
chora sem soluçar e me pede sutilmente para ficar.
Serei à favor do tempo.
Serei o verbo que ama.
Serei aquela que depende.
Serei o oposto do vento.
O tempo fará de nosso tempo...
Um tempo que soprará ventos...
Ventos de palavras avulsas ciciando cada curva daqueles ouvidos:
"Sem você, sou apenas metade de mim..."

07/09/2010

Esfinge Incógnita

Coaxo se faz acalanto em uma noite de desalento.
Seu sorriso lúbrico alimenta minha'lma com estrênuo ardor.
Até que a noite se torna seara iluminada de plenilúnio até o amanhecer.
Mas você insiste em me mostrar aquilo que não preciso ver!
E isso me causa ânsia. Não quero me afastar de você.

05/09/2010

Elegia sobre a lua

Noite de Setembro em perfeito tácito. Mau presságio era razão de minha severa melancolia.
Pedia-me entrega, libertação. Inspiração precisava ser encontrada fora de minha talante, então me perguntei: "As lágrimas me servem?"... Era só o que me restava naquele momento. Nem o tácito luar que antes gritava por amar, me serviria como álibi.
E quem me condena pois então? Pensei em Augusto com seu singelo cacoete obstinado. Certamente falara tão pouco de sua esfinge. Hora perdia-me desse andejo e Augusto me desejaria autanásia. Pois mereço? Era demais pra mim.
Então mudei o rumo da minha procura. Os poetas talvez me ajudassem com o singelismo lúgrube da vida. Eu precisava criar asas, soltar minha dor. Procurei algo que assemelha a lua que se nega a brilhar. Procurei por estantes confissões em papéis a próprio punho e não encontrei.
Me vi em um labirinto sem saída: "Preciso pensar..."
Algo que me definisse: "Já sei! Me julgo pela capa..."
Um livro: "Angústia": Era esse o meu nome àquela noite.
Mas quem disse que minha procura terminou?

27/08/2010

Imagem

Andando pela rua
sem destino.
Em meio a tanta gente,
um desconhecido.

Eu diria que era o único,
logo veio a me notar.
Não sei se pela minha imagem
ou pelo meu jeito de olhar.

Já não era mais um desconhecido.
Conhecia aqueles olhos há tantos anos...
Estava perdido no labirinto do tempo,
Enquanto enxugava noites de pranto.

E foi com esse desconhecido que aprendi que a imagem diz muito a respeito de nós mesmos.
Ele era meu espelho.

09/08/2010

August

O céu colorido de rosa e azul
A tarde pede chuva
O subúrbio iluminado com cores frias
Escurecendo minha rua e a sua

Eu quero voltar para casa
eu quero tocar, ouvir e te sentir
Eu quero nosso orgulho de volta
E um lugar para nunca mais fugir

Agosto espera sempre as mesmas coisas,
inclusive você.

05/06/2010

Tempo da Primavera

Pela manhã orvalho, dia de sol.
Um tocador de vinil tocando minha música favorita.
Em uma casa simples, com paredes amarelas e um cheiro de chá de erva doce.
Na sala meu tio acompanha com o piano a música que está tocando.
E eu danço, com meu vestido ciano.

Meio dia o cheiro de sabão em pó.
Arroz branco e feijão temperado com louro.
Mamãe me apronta para ir ao colégio e diz:
"Obedeça sempre a professora."
Caminho com ela de mãos dadas.

A tarde, ruas de Realengo. Saudades do titio e seu piano.
Penso em Roxette e em todas as coisas que você disse na noite anterior.
Saudades de você e de seu cinismo.
Saudades do cheiro de natal.
Saudades da época de chuva em que eu pensava que meu futuro era meu futuro.
Saudades porque descubro que meu futuro naquele tempo hoje é meu passado.

Eu nem vi passar.

26/05/2010

O Colhedor de Sonhos

Outono faz-se um estranho momento
Onde injúria se disfarça de acalento
Trazendo-me de ti, rios de desalento
[que]
Por um momento, um único momento
Sua incúria te escapou segredos ao vento

Tu te enganas, outono ainda há colheita
Há colheita na vida de quem sempre semeia
Eu não vejo-te colher flores
Mas vejo a audácia de colher sonhos, dores a amores.

Por quê?

18/04/2010

Amanhecer à meia noite

- "Posso te contar um segredo?"
- "Pode"
- "Eu gosto de você."
- "Eu vou te contar um outro segredo: Também gosto de você."
- "Mas e muito e cada dia mais?"
- "Sim..."
- "É recíproco."
- "Eu queria tanto te ver..."
- "Fico imaginando o dia que eu possa te deitar no meu ombro e fazer você dormir ali, e só te deixar sair quando eu fizer o seu amanhecer."

Um passarinho me contou que você, poeta, ficava namorando todas as tardes.
Não posso revelar o nome do pilantra que te dedurou.

- "Vamos nos ver?"

Sim, poeta quer que nos vemos com as seguintes promessas: - "Espero que não fique assim intimidada comigo pessoalmente... E que possa andar de mãos dadas, como você prometeu"

E desculpa-se:
- "Me desculpe aquele dia, mal deu para falar... Me deu um remorso, uma vontade de te abraçar. Me culpei por não ter estado com você."

E grita assim:
- "Me deixa gostar mais de você então..."

E me magoa. O silêncio é trivial:
- "Eu nem consigo mais escrever..."
- "Isso é bom e ruim. As palavras da gente têm toda uma filosofia que é só delas... Não se pode calar a alma delas.
- "Me sinto vazia, não consigo..."
- "Então encha-se! Cadê a sua paixão? A menina apaixonada e apaixonante que eu conheci e que não consigo esquecer? Eu confesso que tentei te esquecer, mas só fica claro, evidente, aquilo tudo que você significa pra mim"
- "A gente nem se conhece..."
- "Então imagina quando isso acontecer
?"

E o encontro de dois corpos, foi o desencontro de duas almas. Nunca se sabe se pela distância você amaria menos quando a aproximidade começa a fazer sentido.

- "Sinto falta daquilo que éramos, sabia?"

Mas sabe, aquilo que foi em potencial simplesmente nunca deixa de ser...