Pela manhã orvalho, dia de sol.
Um tocador de vinil tocando minha música favorita.
Em uma casa simples, com paredes amarelas e um cheiro de chá de erva doce.
Na sala meu tio acompanha com o piano a música que está tocando.
E eu danço, com meu vestido ciano.
Meio dia o cheiro de sabão em pó.
Arroz branco e feijão temperado com louro.
Mamãe me apronta para ir ao colégio e diz:
"Obedeça sempre a professora."
Caminho com ela de mãos dadas.
A tarde, ruas de Realengo. Saudades do titio e seu piano.
Penso em Roxette e em todas as coisas que você disse na noite anterior.
Saudades de você e de seu cinismo.
Saudades do cheiro de natal.
Saudades da época de chuva em que eu pensava que meu futuro era meu futuro.
Saudades porque descubro que meu futuro naquele tempo hoje é meu passado.
Eu nem vi passar.