A noite é ampla como a vista da sacada do vigésimo andar. Infinitas luzes brilhando em todo lugar até sumir na imensidão do horizonte, mas o pensamento me carrega para um campo vazio onde ninguém pisa há meses. O rocio veste a grama onde as estrelas refletem nesse mesmo orvalho dividindo a luz do sol pela manhã, talvez uma única prova de compreensão de pensamentos. Fecho os olhos e por um momento consigo sentir o cheiro desse vazio, caminho inquieta pela varanda do apartamento me escondendo dos meus próprios pensamentos, mas eles me carregam, me sofrem e me matam aos poucos. Tudo o que eu queria era esquecer o antes, o agora e o depois. Não há mais sonhos que salvem, nunca esperei ser salva por nada e nem ninguém.
A única coisa que sei é que o mundo está cheio desses espaços vazios entre os abismos e ao mesmo tempo cheio de nada entre as palavras.