25/02/2016

Vênus, Júpiter

Para Eric

Caminhamos por aí de mãos entrelaçadas no ritmo do vento que busca a chuva.
Em pequenos espaços obscuros entre as pálpebras, tua boca e a maneira de como sorri com os olhos quando me carrega.
É que há dias que o verão tenta mostrar como será o inverno daqui a frente.
Pés quentes, mãos frias, lábios úmidos de chuva ou de saliva.
Eu me sinto transbordar por um colégio público noturno, a cidade é mais bonita quando não há ninguém ocupando os espaços públicos.
Sinto a sensação de posse do mundo.
Você solta a minha mão para acender o cigarro, enche a boca de fumaça e a solta contra a luz de um poste amarelo. Olho e penso o quanto você é excitante.
E como fica lindo quando traga o cigarro e me lasca um beijo com um gosto amargo.
Mas há espaço entre as cores também.
Daquelas que carregamos nos olhos dos dias vazios.
E o que resta é aquilo que também transborda com tudo aquilo que levamos com o tempo.
E os espaços pequenos obscuros das minhas pálpebras carregam teu colo, a manhã e o alívio de mais um dia contigo.
Esperarei por Vênus e Júpiter entrelaçarem em meu colo.
Por mais que os dias sigam caminhando nem sempre ao seu lado,
de toda a razão o amor  sempre é perdoado. 

07/02/2016

Fragmentos sobre o mar

Você tem um jeito de mar que me faz flutuar olhando o céu. 
As ondas curtas e silenciosas ultrapassam a minha nuca de uma maneira que quando chega na orla, agride as pedras que te impedem de ir muito longe. 
É que contigo eu estou no fundo, longe da multidão da praia, é simples quando se já está em alto mar.
Eu não sei nadar, mas no seu mar eu me sinto segura. 
Porque sou um porto, e você é meu cais. 
Eu sou apenas um corpo flutuante sendo carregada pelas suas ondas. 
Que me ilha e me equilibra. 
E se eu me desequilibrar, não haveria nada que me impedisse de me afogar em você.