29/12/2009

O ocaso e o amanhecer

Se nosso caso é um acaso nascido de um ocaso ou até mesmo pelas lágrimas da nuvem que nos cobria, quem além dele navegaria pelas estrelas de um quarto perdido com paredes que nos refletiam?
As estrelas caíam porque a luz dos olhos dele refletiam nos espelhos de uma forma tão prudente que chegava a ser incúria, e as estrelas caíam e desapareciam cheias de gentileza, encanto e fúria.

Ele desconhecia o fato de um céu que sempre nos vigia, tampouco sabia que a luz que iluminava nossos corpos naquela cama eram estrelas implorando de volta toda a sua magia. Se tivemos os espelhos como álibi revelando segredos do nosso próprio eu, a lua seria uma eterna ingrata por saber brilhar mesmo dizendo que não sabia.

Se nosso caso é destino nascido de um novo amanhecer ou até mesmo pelo brilho do sol que desconhece o próprio brilho, isso já não nos importaria... Pois à noite ou mesmo no dia, seremos eternos donos um do outro assim como o brilho da estrela é dono do céu que naquela noite nos cobria.

27/12/2009

2ª Elegia

Perdão, mas estou sem rima, sem clima...
Não escrevo mais, como um pássaro que quebrou asas e não pode mais voar.
Só se sabe a dor de um poeta, quem sente a dor da distancia.
Mas só conhece a dor da minha poesia, quem conhece a dor do vazio.

05/12/2009

Setembro

Era primavera, aliás, ainda é primavera. Mas pede para que lembremos do primeiro dia. É, aquela tarde estava gentilmente pluviosa, e se lembra como se fosse agora e o sente como se ele ainda estivesse consigo.
"Ah, curioso o acontecido..." Não se referia aos beijos e nem do perfume que ainda não saia do colo dela, mas lembrava da delicada forma de como ele segurava a suas mãos enquanto dirigia. E se não fosse tão gentilmente brando, de onde surgiria o mais encanto dos sentimentos? E tocando o rosto dele ela calou a dúvida e semearam juntos o que um poeta só seria capaz de colher na imensidão do infinito.
E dizem que nesse momento o céu finalmente tecia encruzilhadas de tantos desencontros, fazendo de solidões ninhos e aconchegos por onde não só a vida, mas para o amor pousar. E assim foi naquela inesquecível tarde de Setembro, e quando ele se foi, ela olhou para o céu e viu as nuvens chorarem de saudade.