26/05/2014

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Ontem a noite reconheci esse buraco no peito que me incomoda por alguns dias. Bebi com estranhos na minha própria casa e a cozinha estava cheia de garrafas de bebida vazias que eu não bebi.
Talvez devesse vomitar cada choro incompreendido, mas não consegui ter uma conversa profunda com nenhum daqueles enquanto chapávamos. Exceto quando fui para a sacada do apartamento fumar um cigarro, um deles se aproximou perguntando se eu estava chorando e eu não soube responder se era a fumaça do cigarro que fazia meus olhos arderem ou se toda aquela situação era deprimida demais para ser admitida, mas nada mais do que isso.
Talvez eu estivesse sonhando ou sei lá, mas você gritou "eu te amo" naquela manhã na rodoviária no meio de tanta gente, talvez não tivesse tanta gente assim. Quando lembro desses dias é como se todo o resto fosse apagado da memória e você dança no meu canto em primeiro plano desde sempre.
Uma noitada dessa não deixa colo para pousar. O céu perdeu seu álibi. Eu já estou acostumada, antes eu desabava por qualquer coisa.
Não se encontram dignos de ouvirem o que tenho a dizer. Tudo é distorcido demais e quantas vezes digo que as palavras limitam. Minha boca é mais próxima dos meus ouvidos do que dos seus. Sou a primeira a ouvir o que falo e a fala tem uma cadência bem diferente da cadência dos pensamentos. Mas o pensando é mais próximo do meu ouvido do que o meu coração, vai ver é por isso que falo tanta besteira, mas não quero te perder da memória e nem se eu quisesse eu poderia.
Luzes corais no fundo do mar, minhas estrelas cheias do [seu] céu. O vento faz redemoinhos e desaparecem em cada esquina. Há uma dívida gigante entre a lua e o mundo. Estática olhando o movimento que esse momento faz, devagar para alguém que se apaixonou rápido demais. Ah, permanece brilhando o vazio do céu essa lua sádica encarando o mundo, o seu mundo mesmo que nem perceba eu estarei aqui contemplando o mar e as luzes corais de cada esquina. As minhas estrelas moram no seu céu, sempre foi assim [e nele, elas se apagarão]

19/05/2014

Elegia de honestidade

Preciso ser honesta comigo mesma. A essa altura imagino que o sol já tenha se escondido atrás de alguma floresta negra, eu quase nunca sei como usar as palavras. Não entendo o que te encanta tanto, mas se soubesse como elas me limitam, se soubesse como essa merda de barreira e milhas de distância atrapalha a vida de todo mundo, sonhar quase sempre se torna vazio em meio disso tudo.
E digo mais, preciso ser honesta comigo mesma. Eu estou cansada de falar sobre o amor porque achava que sabia. E o que me move... O que me move é isso, essa confusão toda que me possibilita saídas. 
Hoje eu e ela tomamos um café em frente ao lago, o sol rebatia o reflexo nos olho dela enquanto dizia que minha vida está resolvida a partir do momento que sei aonde estou. Paramos de falar por segundos e eu preciso ser honesta comigo mesma e "isso é óbvio" (pensamos) e começamos a rir de algo que todos já sabiam: ela, meus pais e todos, menos eu. Preciso ser honesta comigo mesma: Eu sou livre! E me desculpa estar construindo um labirinto sem saída na sua mente sendo tão subjetiva. Mas não quero falar sobre isso, assim abertamente, preciso digerir isso intensamente e por fim, fugir.
Eu odeio escrever quando me sinto assim, assim eu nem sei, dizem que tenho um espírito livre e você não entende que eu simplesmente não tenho. Estou dando volta em palavras... Minha cabeça dá nó a cada segundo e a cada palavra que me é sugerida torna-se limitada e subjetiva supostamente contra a mim, como as uso. E quando penso que as palavras podem ser longas até que chegue na luz desses olhos em que moro, eu paro de escrever.

Me desculpe. 

01/05/2014

Essa semana fui a uma livraria e comprei um bloco de notas sem pauta. Parece um detalhe simples, mas me senti livre para desenhar o que eu quisesse em um caderno vazio de espaços certos de escrita.
Chovia tristeza às quinze da tarde e tocava meu jazz favorito do fundo do espaço de Economia.

Mas eu não tenho motivos para tristeza.

Lembrei de você, que guarda todas as pulseiras que esqueci no seu quarto quando não brigávamos por coisas que até hoje não entendemos. Lembrei do modo como você move o mundo com o seu sorriso, do cheiro de café das livrarias que íamos juntos e de filmes que deixamos de revelar porque possivelmente revelaria nossa imagem juntos deixando-o em uma caixa de desapegos emocionais em uma campanha de dia dos namorados em uma livraria que nunca fomos juntos e eu sorri quando o fiz, mas não foi um alívio.

Lembrei do nosso primeiro beijo na rua principal do centro da cidade quando senti meu coração parar de ver tudo o que estava em volta. Das nossas tardes fotografando os prédios altos, os gatos nos parques e um ao outro como se não houvesse mais nada de belo nesse mundo simples.

Lembrei das tardes que dormiamos esperando o tempo juntos parar, isso mesmo, parar. O tempo corria demais quando estávamos juntos, esse foi o ponto chave para tudo desmoronar. Eu tive receio, você teve pavor. Eu não sabia aonde estava pisando, você sabia o quanto isso iria nos causar. Mas senti meu coração parar de ver tudo em volta e corri na direção que o desconhecido aprecia: O caos.

Lembrei da forma de como você se sentiu inseguro, eu falei tanto e tanto e não disse nada. Porque não havia coerência nas palavras que eu dizia e não havia coerência nos atos que você tomava, mas senti meu coração parar de ver tudo em volta e corri na direção que o amor não perdoa: O caos.

Mas a principal lembrança que eu tenho é que esqueci o motivo de ter fugido disso tudo. F
Faria tudo de novo.