28/07/2014

Sabe, eu não gosto daqueles olhos grandes e redondos que ela tem. Nada contra os amores platônicos de transporte público, exceto que de certa vez ela foi percebida olhando um rapaz do serviço público pelo reflexo da janela do metrô. Eu desaprendi a escrever tem muito tempo, ninguém lê meus textos falidos de amores falidos e ninguém lê também, os dela. Nada de jogo de palavras e rimas. Caramba, por que não demos certo?
"...Acho que não tem muita explicação, assim como não tem muita explicação o fato após de tantos desencontros a gente ainda estar aqui, falando sobre como nós sentimos um com o outro." você diz.
"Lembro da gente comprando vinho no Cabidinho naquela noite, trazendo pra cá de madrugada em copos descartáveis. Aquela foi a última vez que consegui fazer um retrato seu sem que você cobrisse o rosto"
Você aguardou ansioso pelo nosso reencontro, te esperei sair do trabalho naquela livraria em Botafogo, aquela do lado do cinema novo, lembra? Se chama Prefácio, isso mesmo, aonde você tirou um retrato meu com a sua câmera analógica e pediu um espresso e eu como de praxe, um chocolate quente. Sabe que nunca gostei de café e você tentou muitas e muitas vezes me ensinar esse feitio.
Quando subiu as escadas da livraria, ofegante e ansioso, senti meu coração gelar. Todos sabem que o gelo machuca quando se mantém no corpo por muito tempo e a minha alma dói, quando lembro que nunca serei aquela de olhos grandes e redondos da Asa Norte.
Você passa na minha cabeça como um filme de chromo, mas eu não revelo nada. Eu não relevo nada, com você nunca relevei, eu sei. Nunca relevei nada com ninguém e nem comigo mesma, eu sei que estou me devendo isso.
Fiquei reparando quantos detalhes mudaram desde a última vez em que estive no seu quarto enquanto você tomava banho, escorregando no piso de madeira de meias e fixando a sombra daquele adesivo de estrela colada no teto toda vez em que eu fechava meus olhos.
Você diz que não a viu mais e que foi bom tudo ter sido como foi e que a calma consome a sua alma e dessa vez o amor renasce pelo Aterro e aqui estamos contando o tempo, com a sorte e o universo. Ontem  me disse que não queria que nada estivesse no nosso caminho novamente e quando lembro da gente saindo do seu quarto depois de uma longa tarde de conversa e reencontro os seus pais na sala, algo renasceu ali no simples sorriso que seus pais me deram, me senti acolhida e eu tinha me esquecido como era.
Mas hoje, além de Hope Sandoval, eu me destruo com o seu silêncio, gostaria e muito em não aguardar qualquer mensagem sua ansiosa esperando que esse medo bobo de não te ter por perto (da alma) me faça cair em prantos, pois afinal, nunca serei Beatriz ou Mariana e tudo é novo demais, inseguro demais, esperançoso demais, lindo demais... E nada demais faz bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário