08/08/2014
Echappé
Desci do táxi as sete da noite, sei que soa estranho escrever por extenso, mas acho que temos intimidade o suficiente para isso. A procura da portaria do prédio, a única referência que eu tinha era que ficava logo em cima de um supermercado e a noite brilhava com a publicidade local em tons de azul marinho e laranja e logo no segundo andar uma sala ao encontro. A sala, uma mistura óbvia de rosa e branco para uma escola de Ballet. Faltavam quinze minutos para a aula experimental começar, sentei-me ao divã também cor de rosa, nada contra rosa, mas o feminino soava tão óbvio para aquela cena que quase pensei que era uma escola feita somente para o universo feminino. Na parede dos corredores fotos de espetáculos da turma de veteranos, plumas brancas e bailarinas com cóques impecáveis. Mas algo ao fundo sonoro me chamava atenção a toda aquela delicadeza ambiental dando contraste a tudo que ali tinha de referência e repentinamente confessado, um jovem rapaz de olhos claros sai de uma das salas eufórico perguntando para si mesmo em voz alta pelo sumiço de suas alunas. Levemente se inclina no bebedouro a minha frente, até que, por delírio nota minha presença: "Você veio para a aula de street dance?" - E eu, falhando a voz respondi: "Não, vim para o ballet clássico" e ele, sem pudor me encarou a alma e dançou com ela infinitamente por nanosegundos e por fim respondeu: "Que pena..."
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