05/11/2014

Era em um quarto pequeno sem paredes, só havia espaço para um colchão velho e um rádio que ganhei do meu pai no meu décimo segundo aniversário. Então eu ouvia minha rádio favorita o tempo inteiro, sabia que a programação do dia se repetia depois da meia noite. Olhando para a única janela do quarto, pequena e redonda, alta para se alcançar de pé, mas deitada, eu tinha a visão de pequenos fragmentos do céu em meio a casas amontoadas no beco dos anjos. O fato é que por pura sorte, naquela madrugada, eu conseguia ver a lua no meio daquela visão e hipnotizada por ondas de tédio e ternura, senti a melodia vindo tocar meus olhos a ponto de deixá-los bastante úmidos. Aquela melodia tão nova e ao mesmo tempo tão esperada, como um bom presságio sobre quem sabe que passará em uma determinada matéria porque garantiu uma boa nota na última prova ou como aquela paisagem lúdica no final da linha dos trens como naqueles filmes antigos de faroeste que meu pai gosta de assistir. O fato é que me senti carregada por ondas de melodia até a lua e a partir desse dia eu achava que poderia escrever um livro sobre uma noite só ou prever o próprio futuro porque os sonhos haviam se tornado mais simples. Mas não há como prever ou sequer escrever uma linha sobre como a lua deixa vestígios de superfícies incógnitas fora do espaço. Os caminhos em volta dele são feito de luzes estrelares que acompanham o espelho que a lua carrega.

No avião, indo para a sua casa, pude notar esse mesmo caminho por cima das nuvens.
O céu é o espelho inverso do mundo.

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