03/02/2015

Vou caminhar sozinha por aí atrás de vaga-lumes com uma garrafa de vinho na mão. Eu saí do meu corpo. Vi a praça vazia e viva. A madrugada pertence a nada. Meu corpo leve e flutuante pertence a ela. Então eu me sinto em prantos, acolhida pela minha própria cor pérola. Lágrimas escorregam lentamente e molham meu cabelo flutuante. Acendo um cigarro. Sento no balanço e me inclino olhando o céu. Não sei porquê eu começo a rir ironicamente. Minha alma está lavada com álcool. O vento sopra suave e forte e faz as árvores cantarem em diferentes tons. Gosto quando o silêncio da cidade me permite ouvir a música dos ventos. Sino dos ventos na varanda. Eu estou longe da cidade, numa estrada coberta de flores azuis e vaga-lumes. Meus passos flutuantes levantam as pétalas secas. Secas pelo rocio, pesadas pelo rocio, ofendidas também pelo rocio  porque o vento não as emergem. Me sinto segura. Me sinto salva pelas três da manhã. Não ouço nada, mas ouço tudo. Eu acordo em cima de um epitáfio e giro por cima dele e me elevo. Cada vez que eu giro, eu me elevo bem alto perto da lua. A lua, ela acende minhas mãos. Eu danço com o plenilúnio e me deito até cair como uma pena. Caí por cima das árvores. Eu me sentia tão leve quanto às folhas. Me senti tão em casa que resolvi morar na praça por um tempo. Eu só existia a noite, então toda vez que o vento soprava a vida era tocada de todas as formas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário