03/01/2017
Se não fosse horário de verão, poderia dizer que nesse momento o tempo atravessa pelas quinze da tarde de uma terça feira. Pedi um suco em uma lanchonete aqui do bairro, sentei nas mesinhas postas na calçada e observei que, não sei se pela composição das cores infinitas em tom de laranja e verde ou pelo sebo do lado na lanchonete com um cartaz nostálgico do filme Casablanca, é que observando as pessoas daqui da mesa, é como se elas estivessem encenando em alguma telenovela brasileira dos anos noventa. Veja bem, estou sentada em uma mesa rústica de madeira. Há sombra na calçada coberta, e no bar do outro lado no sebo, tem um senhor que chutaria ter uns setenta anos de idade sentado em uma mesa de plástico vermelha que pertence a um bar sem nome. Eu não sei o que ele pensa, mas acredito que pela expressão de nostalgia que aquele olhar perdido nos pensamentos traz, ele deve estar sentindo exatamente o que sinto agora. Em algum momento de sua vida, talvez nos anos oitenta, ele sentiu que se perdeu na paisagem como em um filme mudo ou até mesmo fazendo anotações sobre pessoas com olhares perdidos em uma tarde nostálgica de terça feira.
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