01/02/2017

Me esqueci em que dia da semana estamos. No chão do quarto e no meio do barulho da chuva, a madrugada nunca me foi tão íntima. Há muito tempo que eu não me ouvia. Na tela da TV uma mulher com vestido branco dança sorrindo, graciosamente dança no ritmo da chuva e eu choro no ritmo do céu. Trovões, na esquina um desconhecido chamado Conrado. - Oi, tudo bem com você? - Não muito bem... - O que houve? Eu sou assim, pessimista e sempre com um mau presságio como desculpa e ele, Conrado, diz que pessimismo é paixão frustrada. Sei lá.... Paixão pode ser qualquer coisa então, qualquer coisa mesmo, uma vontade intensa e reprimida. O problema é que estou morando sozinha em uma cidade na qual não conheço ninguém, até fiz amigos aqui, mas de pouca data. Eu não vou voltar. Algo me prende aqui, é muito intuitivo, tanto que quando sonho que estou voltando, eu me sinto em uma estrada sem rumo. É complexo e angustiante e além do mais eu estou há dias sem dormir. Se quer saber mesmo, quero ser livre, mas saber o que fazer com essa liberdade. Olhe bem, eu estou morando em uma cidade sozinha, posso fazer o que eu quiser e quando quiser, porém eu continuo sem saber o que é ser livre. Eu sei que liberdade é uma questão pressuposto, são momentos de euforia, mas liberdade, é no fundo, não ter medo. Conrado me contou em seguida que seu maior sonho era tocar pelo mundo. Os olhos ressaltaram um brilho único e distante com uma frase típica de otimismo. Eu sei que ele vai. A gente consegue tudo o que quer, sabia? Tudo o que realmente queremos. Ele, ainda com o brilho distante nos olhos, contou que tudo pelo que lutou, teve seu sucesso. Sabe, é fato que o medo é instintivo, uma auto preservação, mas é que eu nunca soube diferenciar intuição do medo a não ser que eles entrem em conflito e comecem a brigar dentro da gente para que no final nós saiamos machucados. Se algum dia alguém me pedir um conselho, eu vou dizer: Confie na intuição, o medo é apenas um conforto. E se é a intuição que sempre diz sim? Não, o desejo que sempre diz sim. A intuição se quer dá alguma resposta. Mas Conrado, está amanhecendo, eu acho que foi um dia ruim para uma prosa. Não se preocupe pela curiosidade de não saber quem eu sou porque nem eu mesma sei. Mas eu concordo que por poucas linhas em um bloco de anotações, nos conhecemos muito mais do que muitos desconhecidos por aí.

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