Vivo ardor em que me inundo e em torno dele, palpito e adejo. Porque desejo o meu próprio desejo, digo ter pudor, ter sentimento quando o vejo.
Há de perceber em meu estranho ardor que há uma luta entre o efêmero e o eterno. Pois no primeiro dia me olhaste como se já me trouxesses em teus olhos e andei como se não tivesse os pés no chão.
Nós entretanto que semeamos tanto, vamos colhendo um algo, quase em seara inútil nesse ansiar em ter. Pois há sempre um que ama, escravo da paixão e o que se deixa amar sem mesmo perceber.
Tão misto de impulso e de deslumbramento, eu sei o que é! Porque desejo é desejo e ternura a um só momento.
Então, por quê? Por que não tecer encruzilhadas de tantos desencontros, não fazer de solidões desesperadas, ninhos e aconchegos onde a vida possa pousar?
Já não me importo com solilóquios do anoitecer, pois sempre terei em teu abraço o caminho de um novo amanhecer.
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