Esta noite silêncio é música. A cidade está estática, apagada, sem velhos boêmios, sem loucura, sem poesia. Morrerei queimada pelo tédio, pelo vazio do cotidiano e pela sacada do apartamento. E brevemente sinto a brisa pousar em meu leito de vida. Estou viva, sorte daqueles que sonham. Aqueles que sonham com o começo do dia, 'bom dia' de uma perspectiva diferente. 'Óbvio que terei', óbvio... Caminhar sem fôlego até o trabalho e ter pressa para voltar. Saudade mora perto, tão perto o quanto você imagina. A gente sente saudade de quem ama o tempo todo, e não basta estar perto, não basta absolutamente nada. E caminhando pela sala, ouvindo música pelos cantos da cozinha, gritando do banheiro coisas aleatórias do tipo, 'Ei, você lembra de quando é esse álbum?' - Eu não sei, eu... eu perdi a noção do tempo, sabe? Sinto que viverei pra sempre e ao mesmo tempo, que morrerei ali, anestesiada pela minha própria euforia. E o fim da noite, seja como o dia, que seja sem fôlego, sem palavras, sem voz, sem sono, por medo de estar sonhando. Essa expectativa se entrelaça na figura do mesmo. Medo de perder o tempo, de novo, do mundo que não encaro por teimosia. Minha cara: Precisa apanhar mais da vida, encontrar 'aquilo que você ama e... deixar isso te matar'
No final, a gente acha que escolhe como deveremos morrer e finge estar preparados para o próprio funeral.
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