15/01/2014

O Tempo II

Paro para olhar o tempo
Há quem diria ver algo antes, o poeta
soma todas as belezas encontradas em um silêncio
subtrai o que pisamos no chão
e eleva todo o corpo ao infinito céu.
Nessa madrugada,
paro para sentir o vento.
Há quem diria sentir o prelúdio
e o cheiro, o cais, o mar, a imensidão da ternura
e derruba todo o corpo caindo em sonhos
de abraços corroendo a mente
e sente
infinitamente
que estamos apaixonados.
Mas na realidade
Paro para olhar o tempo,
do sofá entrelaço minhas próprias mãos,
vago inconsequente por falta de uma certeza
daquele colo vazio por ser o único que vejo
e encontro e acordo e não vejo nada
porque paro para olhar o tempo
há quem diria ver algo antes, o cego
subtrai todo o afeto perdido nas palavras
somando os passos pisados no chão
e eleva todo o corpo a imensidão do tédio.

Eu sei que falta pouco para eu começar a viver de novo.

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