15/01/2014

O Tempo II

Paro para olhar o tempo
Há quem diria ver algo antes, o poeta
soma todas as belezas encontradas em um silêncio
subtrai o que pisamos no chão
e eleva todo o corpo ao infinito céu.
Nessa madrugada,
paro para sentir o vento.
Há quem diria sentir o prelúdio
e o cheiro, o cais, o mar, a imensidão da ternura
e derruba todo o corpo caindo em sonhos
de abraços corroendo a mente
e sente
infinitamente
que estamos apaixonados.
Mas na realidade
Paro para olhar o tempo,
do sofá entrelaço minhas próprias mãos,
vago inconsequente por falta de uma certeza
daquele colo vazio por ser o único que vejo
e encontro e acordo e não vejo nada
porque paro para olhar o tempo
há quem diria ver algo antes, o cego
subtrai todo o afeto perdido nas palavras
somando os passos pisados no chão
e eleva todo o corpo a imensidão do tédio.

Eu sei que falta pouco para eu começar a viver de novo.

07/01/2014

Epitáfio, eu viverei para sempre

Esta noite silêncio é música. A cidade está estática, apagada, sem velhos boêmios, sem loucura, sem poesia. Morrerei queimada pelo tédio, pelo vazio do cotidiano e pela sacada do apartamento. E brevemente sinto a brisa pousar em meu leito de vida. Estou viva, sorte daqueles que sonham. Aqueles que sonham com o começo do dia, 'bom dia' de uma perspectiva diferente. 'Óbvio que terei', óbvio... Caminhar sem fôlego até o trabalho e ter pressa para voltar. Saudade mora perto, tão perto o quanto você imagina. A gente sente saudade de quem ama o tempo todo, e não basta estar perto, não basta absolutamente nada. E caminhando pela sala, ouvindo música pelos cantos da cozinha, gritando do banheiro coisas aleatórias do tipo, 'Ei, você lembra de quando é esse álbum?' - Eu não sei, eu... eu perdi a noção do tempo, sabe? Sinto que viverei pra sempre e ao mesmo tempo, que morrerei ali, anestesiada pela minha própria euforia. E o fim da noite, seja como o dia, que seja sem fôlego, sem palavras, sem voz, sem sono, por medo de estar sonhando. Essa expectativa se entrelaça na figura do mesmo. Medo de perder o tempo, de novo, do mundo que não encaro por teimosia. Minha cara: Precisa apanhar mais da vida, encontrar 'aquilo que você ama e... deixar isso te matar'
No final, a gente acha que escolhe como deveremos morrer e finge estar preparados para o próprio funeral.