22/12/2014
Faltavam alguns minutos para noturno, faltam alguns passos para os pés tocarem a areia da orla, o vento que balança as árvores fazendo delas murmúrios e sinos anunciando o fim da tarde - despedida - o vento se torna ainda mais suave como algodão doce. Na pele ele é quente e confortável e sua sabedoria é nua e crua na beira do cais. Aos olhos o horizonte em degradê vespertino em tons laranja e azul marinho nota-se que a paisagem não é a mesma de algum tempo atrás. É que de fato ela nunca foi a mesma. Enquanto refletia, o vento sussurrava os encantos da noite e ele tão íntimo e macio tocava sua nuca e seu pescoço com gotas leve de chuva, nunca se sentiu tão sozinha sem se sentir solitária. Aos poucos os postes dos rodapés foram iluminados com luzes corais. A orla precisava ser enfeitada pelos rapazes que não vêem mais os caminhos decertos para alcançar a sua margem. Jovens náufragos em busca de sereias sem canto, tritão, estrelas do mar, compostos do que a Brisa não tem. É tudo quase sempre o mesmo do que costumava ser, enquanto o vento batia violentamente em sua pele macia, se sabia que bastava sua própria companhia e o gosto doce invadia sua certeza em tons nobres dizendo em voz alta para o mar: Eu não estou deslumbrada. E isso basta, isso basta...
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