03/11/2015

Vago por aí e a nada pertenço, mas às vezes me cai em falta pertencer ao mar. Ando íntima de mim mesma quando não durmo, sumo do cotidiano e engano a vida. A própria vida que me é tão fácil enganar.
A vida é bem isso mesmo, tudo engano, tudo insano, tudo encanto. Porém em cada canto que se vai sozinho é uma ilha inabitável. O isolamento é tortura de muitos e privilégio de poucos. Poucos têm a oportunidade de conversar consigo mesmo.
Fui até a praça da esquina no fim da última tarde. E em cada canto o encanto de seu grupo: rapazes competindo sabedoria; mulheres sorrindo para outros rapazes; crianças correndo pela grama; pessoas em uma conexão divina em infinitos círculos pela praça. Raios de sol atravessando as folhas das árvores que não paravam de balançar por conta do vento e assim formando desenhos na grama. As árvores cantavam, cada uma no seu ritmo fazendo da praça um grande concerto sinfônico e eu, uma mera espectadora de um longa metragem com os melhores atores e a melhor fotografia e trilha sonora.

Vago por aí e a nada pertenço. Ando íntima de mim mesma a maior parte do tempo. A vida é bem isso mesmo, tudo engano, tudo insano, tudo encanto. Poucos têm a oportunidade de conversar consigo mesmo.

 Ser sozinho é uma ilha inabitável e privilégio para poucos.

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