eu bebi água quando estava com sede
corri quando estava com pressa
atravessei o rio sem nadar
reguei o mar
tomei as flores e os espinhos dentro das minhas vísceras
hoje
eu vi fogos de artificio tortos no céu nublado
senti frio e não coloquei casaco
chorei, chorei e chorei até o olhos arderem em chamas
sorri de canto enganando a tristeza
hoje
as palavras não soam nada
como se apagassem nas vidraças frias do inverno
e a noite os cães latem na vizinhaça
e na porta ao lado, eu não tenho por onde me esconder
hoje
as palavras não soam nada
mas escorregam feito rio de uma torneira fechada às pressas
de um lago raso sem fundo
sem patos e gansos para dar vida a paisagem
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