Pamella Corveto | Blog
27/02/2026
Não farei rodeios dessa vez
Eu quero tirar de mim tudo aquilo que acredito
O fato é que andei e andei e de tanto soube
Tive medo e sei que o clima é denso
Difícil querer estar em qualquer lugar quando não se quer estar em lugar nenhum
Fiz do sofismo a minha filosofia
pois quem te enxerga, faz questão de te ver além
09/07/2025
Já se completam 10 anos que o inverno me leva a viver o que ainda pulsa em mim:
Caminhadas noturnas em cidades vazias. O frio. As árvores dançantes.
Mesmo que carregue gêmeos nesse mapa astral, depois de todo esse tempo, a instabilidade se tornou estável.
Porque, no fundo, é um 'querer' que incomoda os sonhos e desperta no desejo.
No fundo, é o ser do que sempre foi.
E eu sei que a vida vai terminar em trilhas, cachoeiras secretas, praias vazias e fotografia.
27/05/2025
06/05/2025
Recitarei elegias em dias ensolarados
Rezarei poemas sob um inverno pluvioso
Serei coerente com a minha incoerência
Serei imprevisível sobre a minha imprevisibilidade
Farei do meu destino, a minha casualidade
Quebrarei minhas promessas
Iluminarei todas as minhas sombras, não irei ceder a ilusão da perfeição
Haverão nuvens densas sendo guiadas por uma ventania mansa
E chuva com gotas quentes e pesadas que assombram o fim do outono
Te farei perguntas que exitarão ceder respostas
Desenharei meu mapa no seu corpo só pra te deixar perdido
Até que, por escolha, decida ver além do que eu te digo
Assim, dissolveremos tudo aquilo que achávamos saber sobre a vida
Então, finalmente seremos livres porque não teremos mais nada a temer
29/04/2025
25/04/2025
30/11/2017
feito de lágrimas quentes
e do soluçar do vazio
me arrepio da pureza
que me toca o corpo com mentiras
me seduz como pedra sobre a água
que deságua em minh'alma
como um poço infinito e escuro
profundo
que tudo esconde como
a incerteza sobre a dor que sente
pela certeza se o clamor persiste
o amor resiste?
30/10/2017
há nuvens iluminadas pelo sol na minha mente
nuvens levemente coloridas em tons de amarelo
complementando o céu azul celeste
a última vez eu lembro bem
fui até o sul do país
porque disseram que a vista da lua era mais bonita
principalmente se fosse vista de uma roda gigante
e as lágrimas nos olhos que ardem
e o peito que acelera de saudade
promessas soltas que não recordo
me fez entender que todo sentimento é singular
dono de si e suficiente
para que não precisemos fugir para o céu de outra pessoa
quando o tempo é apenas cinza
08/10/2017
é como perder as forças de uma luta em silêncio
é inquieto e não tem pressa
o amor é a segunda-feira dentro do peito
é gritar sem sair a voz
é sorrir com os olhos
o amor é cada pequeno movimento que as folhas fazem quando há vento
amor é quando a gente não lembra que teve alguma escolha e ainda sim, escolheu
o amor é sem querer quando se quer
o amor é quando se quer sem mesmo querer
é a náusea da saúde
é a virtude disfarçada de defeito
é o desleixo da dedicação
o amor é o descuido do cuidado
é a emergência da procrastinação
é como uma página em branco de um caderno de bolso
é tentar pensar em qualquer coisa que possa defini-lo e só conseguir pensar em uma coisa
e mesmo assim não encontrar sequer uma palavra que consiga o elucidar
05/08/2017
19/07/2017
e seus mundos frágeis e inseguros
então eu me sinto só
e isso nunca foi tão plausível
não as olho nos olhos
não as toco como tocava
eu sequer canto suas canções
não uso vírgulas e rimas
não danço em seus corpos nus
não me visto perto delas
me mudo para o andar de cima
e me isolo de todo esse cortejo social
esses tantos e estranhos modos meus
me afligem como
cada frase pragmática e mal alinhada
cima a cima
baixo a baixo
que pesa quando me toca
que pesa quando se lê
16/07/2017
a cidade entrou em luto
as pessoas rezavam poesias para que sua alma saísse do limbo
não sabe ao certo se existira céu ou inferno
porque a população tinha a crença da condenação e o paraíso
porém, eram poucos e sempre tinham
aqueles que viviam da convicção
de que o limbo era o único lugar seguro
por ser tão incerto e indefinido
27/06/2017
04/06/2017
30/05/2017
25/05/2017
24/05/2017
E de repente sinto brotar galhos de trepadeiras no meu coração e elas cobrem toda minh'alma para que
os pássaros e as cigarras possam finalmente cantar.
17/05/2017
15/05/2017
Eu não sei bem o que era. Também o cansaço, a maldita turbulência pega atravessando as cordilheiras e ao mesmo tempo, o alívio por não ter feito o trajeto de carro. Puerto Natales foi como encontrar um baú de ouro no fim de um Arco-íris. Se existe um espaço na consciência onde os desejos ocultos ficam guardados, lá estava uma cidade pequena escondida pela Neblina, pelo vasto campo vazio e a contemplação de um horizonte infinito, mesmo que, dessa vez, não rodeada por montanhas cobertas de gelo.
Diferente de Puerto Natales, Soledade é uma cidade com o dobro do tamanho, tanto em população como em espaço. Atrás da Rodoviária Municipal, alguns Pinheiros fazem música quando o vento resolvem tocá-los. O silêncio é confortante e o outono é tão leve quanto as folhas secas jogadas no gramado das praças. Não lembro quantas avenidas tinha, não que isso importe. Não lembro se já andei por toda a cidade, não que isso também importe. Mas comecei a notar que tudo se encaixava desde o primeiro momento que pisei meus pés naquela cidade. Mesmo que, no momento, eu não conhecesse alguém que me convencesse a querer ficar, bastava a insistência dos meus desejos mais pirrônicos, e eu fiquei.
Eu a fotografei com meus olhos em pleno inverno quando as ruas ficavam cobertas por neblina em vespertino. Eu a escrevi poesias na vista de um apartamento grande e vazio. Especulando o silêncio nos caminhos entre um bar e outro, a espera de nada. Andei por ruas pavimentadas por pedras e asfalto liso. Observei a chuva cair em algum quintal gramado coberta de flores roxas. Vi o ocaso terminar sua jornada em seus diferentes pontos. Contemplei o horizonte infinito visto do fim de alguma rua no centro da cidade. Corri por ruas vazias. Ouvi latidos vindo de quadras distantes. Postes com lâmpadas amarelas. O balanço da praça central. Os bares que não dou nome. O parque que, no inverno, recebe infinitos tons de vermelho do ocaso me fazendo querer sonhar com ele pela noite. Desenhei em mim cores de desejo, de intensidade, de melancolia, de uma infinita vontade de permanecer amando em Solitude. Eu não sei o que te fiz, se eu pedi demais ou se estava sendo distraída. Se eu pudesse, nadaria em teu colo entrando pelos seus profundos olhos de cores musgos. Assim, entenderia que Soledade é apenas um fragmento dos caminhos que preciso percorrer pela vida.
09/05/2017
07/05/2017
decoro sobre o corpo
tato
caminha sobre meu corpo
que é um mundo
com lugares inexplorados
que nem eu mesma pude conhecer
o pudor que nos aprisiona
o medo que nos aprisiona
chegam de barco afim de explorar terras desconhecidas
de prazer
para o seu bel prazer
desconhecendo que
há profundos caminhos que os levam
para lugar algum
e partem em busca de novas terras
ultrapassando o limite dos caminhos
e morrem antes de conhecerem
a grandeza de uma alma
cujo as terras mais profundas
estão infindo em feridas
27/04/2017
ensaio sobre decoro
eu gosto de você
25/04/2017
Enquanto toca Seven Seconds eu vou até a cozinha e preparo um chá. Em três passos eu caminho até o lado mais puro das minhas lembranças: o céu estava calmo depois de desabar seu choro. O subúrbio do Rio de Janeiro recebeu um arco-íris de infinitas cores naquela tarde de primavera. A comunidade nunca foi tão calma. Algumas casas alagadas, alguns corações partidos. Mas o céu nos refletia nosso próprio brilho ultrapassando qualquer casebre malfeito de tijolos. Eu jurava que um dia aquilo tudo ia ter algum sentido em algum momento. Mas o sentido estava ali dentro de mim, o tempo todo esteve e sempre vai estar.
Um arco-íris intenso de infinitas cores dentro do meu peito que repousa nos reflexos das poças d'água que a chuva abriga nos buracos esquecidos pelo chão.
24/04/2017
21/04/2017
Saio do escritório as seis e pego a lotação as seis e onze.
Vejo por três dias seguidos uma nebulosa vestida de humano.
Primeiro dia: As cores eram verde com purpurinas azuis.
Segundo dia: Aproximou-se da lua quando pegou a lotação.
Terceiro dia: A nebulosa observara a chuva pensando em Júpiter, mas seu olhar era Plutão.
13/04/2017
Faz parte do instinto.
31/03/2017
29/03/2017
24 de Abril
06/03/2017
Existe maneira mais profunda de se apaixonar por alguém?
05/03/2017
fria como o fim de outono
pula até se segurar ao coração
e se mantém quente como o fim da primavera
ela queima e machuca
como um verbo que não cabe na existência
e fica presa entre o peito e o céu da boca
então ela recita versos pelo corpo inteiro
aos pés de caminhos desandados
e as mãos que não resistem aos toques
toda vez que vê aquele que se sabe o nome
mas desconhece o infinito que te provoca
essa tão inquietante lamúria
se transforma em fogos artifícios
fogos que queimam em silêncio dentro do peito
como se o próprio silêncio
o fizesse sempre
amar sozinho
28/02/2017
25/02/2017
22/02/2017
19/02/2017
17/02/2017
Fiquei dias pensando em como alguém tão sozinho poderia estar perdido na Praia da Brisa? Alguém tão sozinho quanto eu.
Eu não lembro quando nos falamos a primeira vez. As primeiras lembranças que tenho de você é que a gente saiu algumas vezes para fotografar na praia. A gente ouviu músicas no seu quarto e andamos um bairro inteiro bêbados de vinho pensando em invadir uma mansão. Tudo o que lembro de você são flashes do que realmente importou pra mim: você se tornou o meu melhor amigo, fazíamos tudo juntos, compartilhamos segredos, conhecemos os pais um do outro, fizemos amigos novos juntos, bebemos em um colégio vazio a noite, jogamos ouija e sonhávamos que um dia a gente iria enfeitiçar o mundo com poesia. Outra coisa que importou bastante pra mim foi que a gente se afastou. E eu não sei o porquê. E no fundo por que eu deveria me importar? Tudo um dia acaba, mas os sentimentos ficam guardados aqui dentro, como referências dos próximos momentos que ainda vão acontecer. E eu te agradeço muito por isso.
15/02/2017
Te encontrar me fez ver um lado de mim que eu ainda não conhecia. Algo que eu não sabia que se era o correto a ser feito, ou sentido. Te olhar, fazer tranças em teu cabelo longo, tocar a tua barba e perceber a cor viva dos teus lábios naturalmente rosados, me fez ignorar que esses profundos olhos emaranhados de verde musgo não pediram para que eu pudesse te salvar. Foi tudo uma coisa estúpida que eu criei e escolhi para que os meus vazios e ansiosos dias fossem salvos.
Não tenho as mais doces lembranças de ti porque não deu tempo para que elas fossem criadas. As poucas que tiveram, não há nenhuma veracidade. Mas eu estupidamente te quero. Te quero como o as gaivotas voam sobre a brisa do verão, te quero como o farol aceso de um porto marítimo abandonado. Te quero com lamúria. Te quero com ardor. Mesmo que tenhas escolhido te proteger disso, mesmo que tenhas a indecência do doesto contra meus sentimentos e resolveste fazer do nosso tempo o teu desenfado. Eu te desejo, com valimento, todo esse ardor que desconheces.
13/02/2017
01/02/2017
26/01/2017
08/01/2017
03/01/2017
29/12/2016
16/07/2016
28/06/2016
minha rua favorita de morar
21/06/2016
e as ondas vindo de longe
sem saber o ponto de sua quebra
eu me escondo em uma onda
acreditando estar longe do perigo da queda
finalmente alcanço a orla
a mesma onda na qual eu mergulhei em delírio
quebra tão incompassível em minhas costas
vísceras
coração
sofrimento
a vida também é
20/06/2016
15/06/2016
09/06/2016
A luz, um beijo quente e nada mais.
05/06/2016
02/06/2016
Estou numa rua vazia com postes corais de um bairro do subúrbio no inverno. Ninguém me conhece, eu não conheço ninguém. Moro em um 40m² e quando acordo, ouço pássaros cantando. Particularidades: na sala há uma tv antiga. Na varanda, um sino dos ventos. Da vizinhança tenho o cheiro da lenha queimada. Quando faz sol, vejo minha novela favorita e me sinto nos anos 90. Gosto mais de ver TV quando está sol. Quando está chovendo prefiro o barulho das gotas da chuva caindo no quintal. Na esquina da minha rua tem um ponto de ônibus. Ele vai para o centro da cidade. Eu só gosto de ir ao centro da cidade nas noites de quinta feira, mas quase sempre vou aos domingos. Ou quase sempre, sempre.
Sinto que a vida vai acontecer devagar agora.
Me sinto melhor quando estou sozinha.
30/05/2016
Assisto sentada em frente a um quadro alguém desenhar linhas retas. Do outro lado da rua, um cão sem dono é alimentado por uma senhora sem pressa. No céu há nuvens cinzas anunciando chuva. Mas alguém continua desenhando em linhas retas naquele quadro.
Quando chove, sinto falta do sol. Quando há sol, almejo a chuva. Sinto falta do cerrado quando estou no Sul e sinto falta do Sul quando estou em Brasília.
Está tudo certo: As linhas, o clima, o cão e a pressa.
Só há algo de errado na minha sintonia.
26/05/2016
24/05/2016
23/05/2016
12/05/2016
Companhia
25/02/2016
Vênus, Júpiter
Caminhamos por aí de mãos entrelaçadas no ritmo do vento que busca a chuva.
Em pequenos espaços obscuros entre as pálpebras, tua boca e a maneira de como sorri com os olhos quando me carrega.
É que há dias que o verão tenta mostrar como será o inverno daqui a frente.
Pés quentes, mãos frias, lábios úmidos de chuva ou de saliva.
Eu me sinto transbordar por um colégio público noturno, a cidade é mais bonita quando não há ninguém ocupando os espaços públicos.
Você solta a minha mão para acender o cigarro, enche a boca de fumaça e a solta contra a luz de um poste amarelo. Olho e penso o quanto você é excitante.
E como fica lindo quando traga o cigarro e me lasca um beijo com um gosto amargo.
Mas há espaço entre as cores também.
Daquelas que carregamos nos olhos dos dias vazios.
E o que resta é aquilo que também transborda com tudo aquilo que levamos com o tempo.
E os espaços pequenos obscuros das minhas pálpebras carregam teu colo, a manhã e o alívio de mais um dia contigo.
Esperarei por Vênus e Júpiter entrelaçarem em meu colo.
de toda a razão o amor sempre é perdoado.
07/02/2016
Fragmentos sobre o mar
12/12/2015
O introspectivo tem um mundo inteiro dentro do peito
e o que vem de fora não cabe mais.
03/11/2015
A vida é bem isso mesmo, tudo engano, tudo insano, tudo encanto. Porém em cada canto que se vai sozinho é uma ilha inabitável. O isolamento é tortura de muitos e privilégio de poucos. Poucos têm a oportunidade de conversar consigo mesmo.
Fui até a praça da esquina no fim da última tarde. E em cada canto o encanto de seu grupo: rapazes competindo sabedoria; mulheres sorrindo para outros rapazes; crianças correndo pela grama; pessoas em uma conexão divina em infinitos círculos pela praça. Raios de sol atravessando as folhas das árvores que não paravam de balançar por conta do vento e assim formando desenhos na grama. As árvores cantavam, cada uma no seu ritmo fazendo da praça um grande concerto sinfônico e eu, uma mera espectadora de um longa metragem com os melhores atores e a melhor fotografia e trilha sonora.
Vago por aí e a nada pertenço. Ando íntima de mim mesma a maior parte do tempo. A vida é bem isso mesmo, tudo engano, tudo insano, tudo encanto. Poucos têm a oportunidade de conversar consigo mesmo.
Ser sozinho é uma ilha inabitável e privilégio para poucos.
13/10/2015
Em uma lancheria, falamos dos nossos melhores amigos, das minhas boas lembranças com meu pai na minha infância. Dos nossos sonhos, que ainda não são nossos e das viagens que ainda não fizemos: uma ida ao interior para fotografar a natureza com os nossos próprios olhos.
Eu escrevo com a luz, você escreve com todas as canções que ainda podem ser escritas. Gosto dos seus olhos verdes-veludo, de suas mãos largas e diretas. Eu me seguro para não beijá-los sempre que seus olhos sorriem. Sei que ainda não te falei isso, mas seu corpo inteiro sorri pra mim. E eu me sinto completamente desajeitada sem saber como reagir.
31/08/2015
23/06/2015
18/06/2015
17/06/2015
Tive situações desconfortáveis na infância. Uma delas é quando meus pais resolveram sair no meio da noite sem que eu os visse. Eu devia ter uns quatro anos de idade, lembro bem que a única reação que tive foi de chorar por achar que eles nunca mais voltariam.
E é assim que me sinto hoje, um poço de desconforto por achar que não preciso sofrer assim por alguém. E tento ser forte e me enganar e tento também superar meus medos contando a mim mesma que aquilo era apenas um equívoco de quem não sabia nada sobre a vida. Acho que na verdade a gente nunca sabe.
14/06/2015
Eu definitivamente entendi que o que sentimos naquele tempo, sempre fará parte de mim, de nós e de tudo. Sobre as ruas que caminhamos, as estradas que viajamos, as camas que dormimos. As xícaras, o gramado, o campo vasto no horizonte da nossa janela e todos os sonhos que carregamos na singela sintonia do ser.
27/05/2015
Soledade, Solitude, Solidão...
10/04/2015
24/02/2015
Por que me importaria se a ti ele soa tão falso?
Mesmo que em tuas ventas sejas o verdadeiro poeta,
Mesmo que venhas provar em teoria a falsa lucidez que me cativa
Que reação me provocas além de um tepentuoso tédio?
Me digas
O que seria mais verdadeiro do que as reações do teu incrédulo fascínio que ele me provoca?
23/02/2015
22/02/2015
03/02/2015
20/01/2015
Sempre te amarei no inverno
Se eu pudesse escolher teu nome, seria outro. Embora eu ame o nome que já tens. Assim, me faz lembrar do quanto tua mente é livre. Na última madrugada eu saí do bar para fumar outro cigarro, gosto de ressaltar que deixei de fumar cigarros de filtro vermelho. Ah, não importa! Não compreenderias, tsc, não quero que me compreendas, na verdade. Eu apenas...
Não queria me ocupar das palavras de outras pessoas, palavras soltas e mal formadas e desesperadas e aleatórias. Como esses blocos de notas que a gente encontra perdido, encardido, vazio, cheio de notas pretendidas e não escritas, e não desenhadas e não cuspidas, tão inútil, tão perdido. Como a escrita e um bloco deixou de ser tão íntimo? Se esconde de uma imensidão de letras cravadas na ponta dos dedos, letras também aleatórias e desesperadas por uma palavra indefinida, por uma frase sem sentido, tão pueril e reticente, mas ainda sim insaciável. E ao invés de soltá-las para serem engolidas, eu resolvi escrever pra ti, ou por ti, ou por mim.
Queria ressaltar que além dos cigarros, eu ando me apaixonando por aí. Por cervejas amargas, por conversas inacabadas, por promessas não cumpridas, por ciúmes... por medo de não conseguir mais respirar. Tenho muita, muita vontade de gritar! De correr em direção a ti e ao mesmo tempo sumir do mundo. O tempo é como unguento, a escrita é como anestesia, talvez eu nunca mais o veja na vida.
Talvez eu sobreviva apenas com os fragmentos que restou em mim, ou seja pedaços inteiros, ou montados. Dos teus sorrisos difíceis, da tua mão larga, do teu nariz de palhaço, da tua insana falta de delicadeza. A falta de acalanto em contos perdidos. A raiva descomunal de ter partido. Dúvidas semeadores de desalentos. O vento, o vento, o vento. A partida descomunal, desalentos semeadores de discórdia, e vou me afastando de qualquer memória amarga de sua presença, sendo que a amargura do tempo é a mais viciante das memórias. E tuas melhores memórias me preenchem, palavras pretendidas e não escritas, e não desenhadas e não cuspidas. Vomitadas... é, acho que seria a palavra mais aleatória e repugnante a ser citada, e desesperadas e vazias, e cheias e incompreendidas por um sentimento louco e incontrolável de querer estar mais perto de ti do que nunca. De te admirar mais do que nunca. De te amar mais do que nunca. Mas tu apenas irá digerir palavras e palavras são desintencionadas, promessas tão vulgares quanto pueris e reticentes, mas ainda assim insaciáveis.
15/01/2015
14/01/2015
O vi a primeira vez sentado no mirante em frente a praia, cabelos medianos e a barba por fazer, estático, olhando para o nada. Usava uma camisa branca abraçado as próprias mãos, entrelaçava os dedos, ria consigo mesmo. Eu não conseguia dizer se a paisagem azulada recepcionava a noite ou a manhã, o tempo parou ali, congelada em seus olhos desde sempre. Carregada em seus olhos desde sempre, mesmo que nunca tenha me visto.
Andava horas e horas para chegar a tua morada toda madrugada. Colégios públicos, ruas vazias, o cais, botequins e casas abandonadas ou até mesmo os casebres no interior da Suécia. Vilas mal vividas, luzes de natal, neve, o frio congelante, a praça central, o calor excessivo, sino dos ventos, um campo vazio, fogão a lenha, viagem astral, eu estava completamente apaixonada.
Palavras avulsas, em meio a todo desastre natural da vida, seu sorriso. Utopias, promessas quebradas, promessas vazias. Essências do verão na madrugada do subúrbio, eu te carregava.
Depois de me ausentar do mundo em seus braços, eu senti que poderia ir pra qualquer lugar. Como naquela noite em que ouvimos nossa música favorita no seu antigo quarto.
Mas ao mesmo tempo, o turbilhão de coisas que carregamos juntos durante todo esse tempo se mistura com a vontade louca de enriquecer de verdades e mentiras. Metrôs sem saída, o universo, gosto de café sem açúcar, seus medos e orgulhos, ofensas e pessimismos, a falta de fé no amor. Um sentimento me carrega mais do que a mim mesma, um caos, um labirinto, um modo estranho de lidar com a vida, os erros, os acertos, o fim de um novo começo, a ausência de poesia... e nada mais.
22/12/2014
05/12/2014
01/12/2014
Sobre a intuição
29/11/2014
Retroceder
Olhar pela janela e ver raios caindo no horizonte é uma boa maneira de prever o que já está acontecendo: O caos resolveu dar um descanso para os insaciáveis guerreiros do tempo.
Essas estradas que me dão rumo a alma com vida, com esse tino libertino com que encaro minha teimosia. Eu definitivamente me deleito. Me rendo a qualquer trajeto firme de coragem, de dor e sabedoria sem garantia. Afinal, garantir é o verbo de um tolo redundante e o pleonasmo é parido sobre o desespero da insegurança de outrem, outrora uma insistência na certeza morada da esperança.
De afeto contido e sentimentos falidos eu me visto.
Sobre todas essas cores sem nome que deduzo em teu pescoço
eu me perco e
ainda digo de passagem,
que não há volta.
13/11/2014
10/11/2014
Chorar até doer
Rir até doer
Sangrar até doer
Amar até doer
Seja lá qual for a resposta
tudo o que se faz com entrega, dói
05/11/2014
No avião, indo para a sua casa, pude notar esse mesmo caminho por cima das nuvens.
O céu é o espelho inverso do mundo.
29/10/2014
mesmo quando eu estiver por perto
o vento soprará de forma suave
será que
a noite manterá seu dialeto com a lua
será que
nós manteremos estáticos à espera um do outro
por toda uma vida
de expectativa vazia
será que
cada beijo nos manterá no céu
e o inferno abaixo de nós
nos manterá calados
e durante
a cada olhar descontente
um abismo
cheio desses espaços vazios
que nós insistimos
em pular sempre
toda vez que
achamos que está tudo perdido?
27/10/2014
Livre
16/10/2014
- "Claro. Faz"
- "Ficou chateado quando eu disse que ia morar no Sul?"
- "Chateado não é a palavra certa"
- "E qual seria?"
- "Não sei qual seria, mas óbvio que fiquei triste por saber que você não estará mais aqui"
- "Por isso ficou em silêncio?"
- "U-hum"
(...)
- "Não sei o que fazer"
- "Com o quê?"
- "Com tudo, tudo, tudo..."
- "Hum... Te entendo"
- "Quer esperar o tempo passar comigo?"
- "Nós sempre acabamos fazendo isso, no final das contas... Não precisa pedir."
20/09/2014
Nada
19/09/2014
O oposto da sua elegia em uma possível tarde de primavera
vestígio de que a morte só acontece para um novo recomeço.
17/09/2014
Os dias
Minhas mãos desenham linhas inquietas
É que carrego música nos ombros e
me levanto da cadeira e olho pela janela
Lua,
tão pura
tão pura
que meus olhos queimam
e minhas mãos tremem
é que carrego o peso dos dias na alma
deito na cama
olho para o teto
e vejo o céu.
Cada um leva os dias a sua maneira.
12/09/2014
Condenação
10/09/2014
23/08/2014
22/08/2014
08/08/2014
Echappé
07/08/2014
01/08/2014
É que no fundo eu adoraria...
28/07/2014
"...Acho que não tem muita explicação, assim como não tem muita explicação o fato após de tantos desencontros a gente ainda estar aqui, falando sobre como nós sentimos um com o outro." você diz.
"Lembro da gente comprando vinho no Cabidinho naquela noite, trazendo pra cá de madrugada em copos descartáveis. Aquela foi a última vez que consegui fazer um retrato seu sem que você cobrisse o rosto"
Você aguardou ansioso pelo nosso reencontro, te esperei sair do trabalho naquela livraria em Botafogo, aquela do lado do cinema novo, lembra? Se chama Prefácio, isso mesmo, aonde você tirou um retrato meu com a sua câmera analógica e pediu um espresso e eu como de praxe, um chocolate quente. Sabe que nunca gostei de café e você tentou muitas e muitas vezes me ensinar esse feitio.
Quando subiu as escadas da livraria, ofegante e ansioso, senti meu coração gelar. Todos sabem que o gelo machuca quando se mantém no corpo por muito tempo e a minha alma dói, quando lembro que nunca serei aquela de olhos grandes e redondos da Asa Norte.
Você passa na minha cabeça como um filme de chromo, mas eu não revelo nada. Eu não relevo nada, com você nunca relevei, eu sei. Nunca relevei nada com ninguém e nem comigo mesma, eu sei que estou me devendo isso.
Fiquei reparando quantos detalhes mudaram desde a última vez em que estive no seu quarto enquanto você tomava banho, escorregando no piso de madeira de meias e fixando a sombra daquele adesivo de estrela colada no teto toda vez em que eu fechava meus olhos.
Você diz que não a viu mais e que foi bom tudo ter sido como foi e que a calma consome a sua alma e dessa vez o amor renasce pelo Aterro e aqui estamos contando o tempo, com a sorte e o universo. Ontem me disse que não queria que nada estivesse no nosso caminho novamente e quando lembro da gente saindo do seu quarto depois de uma longa tarde de conversa e reencontro os seus pais na sala, algo renasceu ali no simples sorriso que seus pais me deram, me senti acolhida e eu tinha me esquecido como era.
Mas hoje, além de Hope Sandoval, eu me destruo com o seu silêncio, gostaria e muito em não aguardar qualquer mensagem sua ansiosa esperando que esse medo bobo de não te ter por perto (da alma) me faça cair em prantos, pois afinal, nunca serei Beatriz ou Mariana e tudo é novo demais, inseguro demais, esperançoso demais, lindo demais... E nada demais faz bem.
09/07/2014
coral e azul marinho
ao pensar que
20/06/2014
15/06/2014
Você é um cara bonito e rico, é triste e gentil quando está comigo. Não sei ao certo do que precisa, mas gosto de cuidar de quem me faz bem. Eu não sei de qual maneira poderia ajudá-lo, mesmo que esse mundo cheio de coisas vazias tragam um pouco de egoísmo para o seu modo de agir, eu consigo ver seu coração cheio de coisas lindas prontas para explodir quando sorri pra mim.
Sabe lá porquê as coisas são assim, seus pais deveriam te dar mais atenção, seus pais deveriam dar mais atenção a eles mesmos. Enquanto pensarem que os sonhos divagam na memória por puro acaso, jamais entenderão a forma de como eles foram escritos.
09/06/2014
26/05/2014
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Talvez devesse vomitar cada choro incompreendido, mas não consegui ter uma conversa profunda com nenhum daqueles enquanto chapávamos. Exceto quando fui para a sacada do apartamento fumar um cigarro, um deles se aproximou perguntando se eu estava chorando e eu não soube responder se era a fumaça do cigarro que fazia meus olhos arderem ou se toda aquela situação era deprimida demais para ser admitida, mas nada mais do que isso.
Talvez eu estivesse sonhando ou sei lá, mas você gritou "eu te amo" naquela manhã na rodoviária no meio de tanta gente, talvez não tivesse tanta gente assim. Quando lembro desses dias é como se todo o resto fosse apagado da memória e você dança no meu canto em primeiro plano desde sempre.
Uma noitada dessa não deixa colo para pousar. O céu perdeu seu álibi. Eu já estou acostumada, antes eu desabava por qualquer coisa.
Não se encontram dignos de ouvirem o que tenho a dizer. Tudo é distorcido demais e quantas vezes digo que as palavras limitam. Minha boca é mais próxima dos meus ouvidos do que dos seus. Sou a primeira a ouvir o que falo e a fala tem uma cadência bem diferente da cadência dos pensamentos. Mas o pensando é mais próximo do meu ouvido do que o meu coração, vai ver é por isso que falo tanta besteira, mas não quero te perder da memória e nem se eu quisesse eu poderia.
19/05/2014
Elegia de honestidade
Eu odeio escrever quando me sinto assim, assim eu nem sei, dizem que tenho um espírito livre e você não entende que eu simplesmente não tenho. Estou dando volta em palavras... Minha cabeça dá nó a cada segundo e a cada palavra que me é sugerida torna-se limitada e subjetiva supostamente contra a mim, como as uso. E quando penso que as palavras podem ser longas até que chegue na luz desses olhos em que moro, eu paro de escrever.
Me desculpe.
01/05/2014
Chovia tristeza às quinze da tarde e tocava meu jazz favorito do fundo do espaço de Economia.
Mas eu não tenho motivos para tristeza.
Lembrei de você, que guarda todas as pulseiras que esqueci no seu quarto quando não brigávamos por coisas que até hoje não entendemos. Lembrei do modo como você move o mundo com o seu sorriso, do cheiro de café das livrarias que íamos juntos e de filmes que deixamos de revelar porque possivelmente revelaria nossa imagem juntos deixando-o em uma caixa de desapegos emocionais em uma campanha de dia dos namorados em uma livraria que nunca fomos juntos e eu sorri quando o fiz, mas não foi um alívio.
Lembrei do nosso primeiro beijo na rua principal do centro da cidade quando senti meu coração parar de ver tudo o que estava em volta. Das nossas tardes fotografando os prédios altos, os gatos nos parques e um ao outro como se não houvesse mais nada de belo nesse mundo simples.
Lembrei das tardes que dormiamos esperando o tempo juntos parar, isso mesmo, parar. O tempo corria demais quando estávamos juntos, esse foi o ponto chave para tudo desmoronar. Eu tive receio, você teve pavor. Eu não sabia aonde estava pisando, você sabia o quanto isso iria nos causar. Mas senti meu coração parar de ver tudo em volta e corri na direção que o desconhecido aprecia: O caos.
Lembrei da forma de como você se sentiu inseguro, eu falei tanto e tanto e não disse nada. Porque não havia coerência nas palavras que eu dizia e não havia coerência nos atos que você tomava, mas senti meu coração parar de ver tudo em volta e corri na direção que o amor não perdoa: O caos.
Mas a principal lembrança que eu tenho é que esqueci o motivo de ter fugido disso tudo. F